Tantas vidas seguem entre a seca, os arbustos, as cores quentes do Sertão. Entre conversas na porta de casa, cigarros de palha, padroeiros e orações.Com meninos brincando na terra e homens tirando dela o sustento.Plantando e torcendo pra chover.Montando em boi, sangrando e curtindo. Sobrevivendo da força da fé.A minha segue por aqui. Vermelha, da cor da eleição. Tranqüila, mas com alguns espirros. Com pouco trabalho, pouco dinheiro e muitos amigos.Sem uma grande paixão, mas com grandes fantasias.Sobrevivendo da força da fé.
Bem naquele dia, quando eu estava vestida de jeans e camiseta, cabelos presos, sem nenhuma maquiagem e com um chinelo velhinho no pé, ele apareceu. Poucas vezes esteve por ali. Há meses não o via pelo Recife. Na verdade, fui até Garanhuns à sua procura, e nada! Mas, agora, ele estava lá: lindo, enorme, doce com sempre. Restava apenas que me visse. Sim, claro! Precisava me ver de novo, saber que estou mais livre que uma brisa de setembro em fim de tarde. A poesia de Vinícius enebriava a noite mais que o álcool em nossos copos. A flauta ditava o ritmo. A emoção contagiava a todos. Foi então que ele me viu! E viu mesmo!!!!Depois, os sorrisos diziam mais do que a conversa mole, e os olhos brilhavam......com a esperança de poder recomeçar."Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai, que bom que isso é, meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar.
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar"
Tom Jobin
.....................................................Tive que usar o poeta. Porque nada mais traduziria o hoje, além de palavras que já foram escritas...
Eu ando assim, feito o mar desta tarde.
Tão constante, tranqüilo e paciente
Que deixa a impressão de estar parado.
As ondas passeiam lentas,
Sem querer ser percebidas
Como quem cansou de demonstrar poder
E agora revelam serenidade em um perfeito balé.
Elas sabem que em algum momento do dia
Um passante mais atento vai olhá-las em calmaria e,
Talvez por isso, ouse tocá-las.
Porque só os aventureiros e loucos enfrentam o mar bravio
E o tempo de aventura acabou.
Como o mar, guardo meus segredos e artimanhas,
Meu sal, meus perigos.
Mas tenho esse jeito manso
Um convite a tempos de paz.
De volta pra casa, uma lembrança do fim de tarde.
ÁrvoreTranqüilidade de espírito.
Vitória nos negócios.
Realização de um sonho para breve.Obaaaaaaa!!!!!!!
Pra não ficar baixo astralNem parecer tão tristeUm pouco dos sorrisos do fim de semana. A festa começou em Bezerros, mas terminou em Gravatá, na casa da família Moraes. Forró bom, samba melhor ainda, cerveja até dar uma dor, amigos, amigos, amigos! Farra e emoção - muita emoção. Também, com um sermão desse, não tem como não pensar na vida...... e no amor! “O amor é paciente
O amor é bondoso
Não é invejoso
Não é arrogante
Nem orgulhoso.
O amor tudo perdoa
Tudo crê
Tudo espera
Tudo suporta.
O amor nunca passará.
Agora três coisas permanecem:
A Fé, a Esperança e o Amor.
Mas a maior delas é o Amor”. Para Alessandra e Gerrá, que sejam felizes para sempre! Amém!
Penso na vida.
Choro a vida.
Uma vida que não está fácil
Nem feliz
Nem sã.
Uma vida de pensamentos distantes
E angústias vizinhas
Sem paz
Sem companhia
Sem lugar no mundo.
Mas que eu sigo
De olhos vendados
Tateando
Esbarrando
Tropeçando.
Escrevo a vida
Invento histórias
Vivo mentiras
Construo fantasias
E destruo parte da solidão.
Pinto a vida
Apago as lembranças
Borro os desejos
Desvio das verdades
E me deito mais uma noite...
... com a saudade.
O Recife cheira a suor, que escorre nos rostos de baixo do sol quente, que ensopa as camisas dos trabalhadores. Cheira a esgoto nos becos, a cana em botecos, a comida caseira nas esquinas e a laranja cravo em tabuleiros.
Recife tem cheiro de terra molhada e mato verde. Cheiro de castanha, de palmeira, de pinhão e jaqueira.
Recife cheira a escape, chourume, pneu e lixo queimado. Sufoca com fumaça de automóvel e alivia com a de nebulizador. Cheira a melancia e sal em Boa Viagem, a peixe em Brasília Teimosa e a lama na Rua da Aurora.
Recife cheira a arruda e flor do campo, a óleo na bênção de São Félix, a caldo de cana no Mercado de São José. É feito de igrejas e pontes, de todas as cores, levando a qualquer lugar, a algum recanto de Deus.
Minha cidade tem cheiro de cocada, galeto na brasa e churrasquinho, de abacaxi na praia, milho e amendoim. Tem tambores de maracatu ensaiando para o carnaval e grito de “é um real” e “ingresso sobrando eu compro”.
Recife é pipoca na porta do São Luiz, é cerveja no Marco Zero, é papo cabeça no Cine PE e música boa no Seis e Meia.
Recife é escolha: Cabeleireiro ou barbeiro. Mac Donalds ou Mercado da Encruzilhada. Boi Preto ou Seu Vidal. É prédio alto e morro mais alto ainda. Vida boa em Casa Forte, e ainda melhor em Casa Amarela.
Recife tem cheiro de cola de sapateiro nas mãos dos pivetes. Aceno de “não” a cada sinal, vidro fechado, ar ligado, tensão nas ruas, ultrapassar sinal vermelho. É medo e vontade de fugir. Mas também é lindo.
No sorriso banguelo das crianças, na garra do povo, no passo paciente dos velhos. É lindo no céu azul limpinho, na fé em ganhar no Pernambuco da Sorte, nas sacolas de feiras lotadas de frutas, no jogo de cintura dos ambulantes, na emoção do Arruda lotado.
Recife é tudo que vejo, tudo que sou, a cor da minha pele. Aquilo que me faz mais feliz, mais forte, mais apaixonada. É o lugar onde quero acordar a cada manhã, e talvez, pra sempre.
Meu aniversário
Algumas caipiroscas
Grandes amigos
Burburinho
Música alta (bem alta)
Saudade de Tê e Lu, de Mabi e Bá
Ausência de Al
Gabi presente
Sem ele
Sem vontade alguma de ter ele (oba!)
Amassada de tantos abraços
Taça esborrando de bons desejos
Boas energias
Bons olhares
Eu, completa
Inteira
Madura
Segura
Feliz
Plena de esperanças
Levemente tonta
Absurdamente serena
Bolo recebido de presente
Pedido de paz às velinhas
Cobertura de chocolate
Lambida de dedo
Muitos encontros
Conversa fiada
Tranqüilidade
Certeza:
Será massa ter 28 anos!
Vamos beber...Vamos sambar...Vamos fazer a vida andar...
Passeando em Porto, entre sorvetes e surfistas, ela chamou minha atenção. Ao longo do dia, já havia me encantado com vestidos, biquínis, barrigas morenas, olhares curiosos e com uma rede cor-de-laranja que ficaria fantástica em meu novo quarto, mas, a princípio, confesso, não a percebi.Fazia tempo que não ia até lá. As ruas agora são exclusivas para os pedestres. Os carros não têm mais vez, estacionam pelas redondezas. Construíram várias pracinhas charmosas dividindo e colorindo a passagem, pintaram e reformaram todas as casas – até as mais simples. A cidade, mais do que nunca, parece ter sido feita para encantar e deixar a todos com saudade na hora de partir.
Fiz aquele mesmo caminho dezenas de vezes por diversas razões, ao longo de minha vida: paquerar, namorar, jantar, tomar sorvete, comprar artesanato, chegar à praia, beber Carreteiro, curtir a um show. Mas nunca a havia visto ali, bem no meio do caminho. Na verdade, nem sei se ela existia. Pelo tamanho e a pintura recente, talvez seja mesmo mais uma das novidades do lugar.
Estava aberta. E como sentia meu coração fechado, as portas escancaradas me pareceram um convite a uma visita. Lá fui. Entrei com o pé direito, pedi licença e me emocionei com tanta simplicidade. “Os simples de coração são queridos por Deus”, diz sempre um amigo meu. Ao centro, uma cruz, um altar modesto e uma imagem da Virgem de Fátima abençoando o espaço pouco maior do que ela.
Como deve ser, fiz os tradicionais três pedidos concedidos a todos que entram pela primeira vez em uma igreja. Certamente, naquele silêncio, um anjo de passagem deve ter me ouvido. Em tempos de mentira, Porto foi um presente de Verdade na minha vida. Deixou a certeza de que não estou sozinha e que ainda há muitos caminhos coloridos a percorrer.Ah, os pedidos! Esses eu não conto. São segredos entre mim e o céu.
Sou músicas
Retratos
VestidosBorboletas e
Flores.
Sou cores:
Rosa sempre
Laranja às vezes
Tricolor há pouco tempo.
Sandália havaiana,
Salto alto
Baque na rua.
Sou romance
Observação
Abraço
Carinho nos cabelos
Conversa fiada
Papo cabeça.
Sou poesia
Caminhada na praia
Medo de bola e de tubarão
Garrafa d’água
Aula de Português
Aula de percussão.
Sou janela quebrada.
Chocolate alemão
Vinho tinto
Caminho sem destino
Olhar ao longe
Óculos escuros.
Sou espera
Perdão
Angústia
Decepção.
Sou desejo que o tempo leve
Que a vida cure
Que a alma limpe
Os olhos sequem
O sorriso surja
E a chuva passe.
Quero fazer um samba alegre
Um batuque em clima de domingo de sol
Mas meu pandeiro não vibra
O tambor está rouco
Violão, não tenho quem toque
E no lugar da cuíca,
Quem chora sou eu.
Quero fazer um samba alegre
Mas só faço lamentos................................................................"Silêncio, por favor, enquanto esqueço um pouco a dor no peito"
Meus amigos são feitos de uma matéria especial: algo entre os homens e as fadas. Têm uma varinha mágica nas mãos e o poder de transformar solidão em companhia. Eles não aparecem sempre que espero, mas nunca faltam quando preciso. E, quando chegam, renovam minhas forças, ouvem meus lamentos, não criticam meus erros, mostram-me outros caminhos e levam-me com cuidado a um lugar seguro, como se a simples presença deles pudesse me proteger de todos os males. Foi assim esse fim de semana que, de fadado à dor, transformou-se em alegria.
Cerveja preta e conversa mole varando a noite. E o novo dia começa na estrada, rumo ao mar. Sol morno, boa música, novos e velhos amigos contando histórias e fazendo sorrir. Praia. Paisagem. Paz.
Mais conversa mole e cerveja preta até chegar o pôr-do-sol em ritmo de bolero. Mãos dadas. Cheiro na flor do pescoço. Surpresa. Noite feliz. Talvez precoce. Talvez precisa. Sem pretensões, como deveria ser tudo na vida.
O sol que nasce vem dar um outro bom dia, rumo a outros mares. Mais estrada, os mesmos amigos. Mergulho em águas novas e limpas. Vento no rosto. Brincar tal crianças e peixes. Soltar os cabelos. Respirar a brisa. Dormir exausta e muito feliz.
A vida acaba de recomeçar (de novo).
À Talita, a fada do fim de semana.
De volta ao colo
De volta ao carinho
De volta ao abraço que sempre foi meu
No mesmo sorriso
Com a mesma alegria
Como se o tempo não passasse
E o amor parasse o futuro
Pra se eternizar em nós
Todo dia.
Recife, 3 de agosto de 2006Te tive sob minhas lentes
ao acordar, gargalhar
caindo em pranto
fazendo charme.
Tantas, tantas vezes
despenteado, barbado, safado
desprotegido, cansado, molhado
Mil olhares, incontáveis momentos.
Em cada encontro,
a alegria de me saber em você.
Em cada olhar,
teu amor de volta.
E talvez seja assim pra sempre.
Ao menos até hoje nada mudou.
Como todos sabem: capotei!
Não foi só naquela noite na estrada, por causa de uma “tartaruguinha” furadora de pneus. Capotei minhas férias inteiras! A cada dia, a cada instante.
Um mês inteiro me debatendo contra a vida, sacudindo o corpo, desorientada, com a vista turva - porque o óculos voou longe no primeiro sacolejo. Com os pés descalços, sem saber onde guardar a bagagem, nem onde me abrigar pra seguir a viagem.
Primeiro, ouvi aquele som estranho, sinal de que alguma coisa não está indo bem. Depois, foi tudo muito rápido, só vi o mundo todo girando e a sensação de não haver mais nada que eu pudesse fazer para mudar meu destino ou pelo menos o final daquele acidente de percurso. Estava tudo acabado! Ribanceira abaixo, parei. Tonta, cega, trêmula, nervosa, com medo do escuro, mas sem nenhum receio de ir em frente.
Sim. Capotei todos os dias. Mas, diferente daquele carro, eu estava sozinha, e até gritei. Ninguém ouviu.
Agora passou. Sem dores no corpo, com as últimas marcas desaparecendo, me preparo pra outra viagem. Tem outro dia vindo por aí.
O amor passou por aqui.
Foi tão rápido e devastador, que alguns nem acreditam.
Eu sei que passou. Porque não sou mais a mesma.
O amor arrancou minhas roupas e minha paz
me tirou do rumo, me levou de casa, me largou na rua.
O amor calou meu Carnaval e ofuscou minha folia
rabiscou meus papéis e secou meus tinteiros.
O amor me mostrou o poder da verdade e a dor da mentira
me pôs em pecado, enfraqueceu minhas orações, fortaleceu minha fé.
O amor despenteou os meus cabelos, suou meu corpo e estremeceu minhas pernas, depois, me despertou com um sorriso, sambou no meu juízo, cantou pra eu dormir e,
enquanto sonhava, ele fugiu, covarde, sem sequer dizer adeus.
O que fazer senão chorar a morte de um amor?A morte do meu amor eu choro com desespero e convulsão. Arranco cabelos, rasgo a pele, grito alto pra pôr pra fora toda a dor (porque por algum lugar ela há de sair).
Na morte do meu amor, meu corpo estremece solitário, vaga sem norte, como quem ainda procura o velho porto seguro. Olho o cadáver do ser amado, acaricio seu rosto, mas seu semblante não mais se ilumina com meu carinho, nem seu corpo se arrepia ao meu toque. Então, desisto, volto a chorar. De todos os meus poros saem lágrimas. A alma precisa ser limpa, a pele, lavada.
Tudo no mundo é finito, exceto as histórias de amor. Elas permanecem, mesmo quando ele, o próprio amor, já foi. Histórias sobrevivem em detalhes que não conseguem ser esquecidos, em cheiros, em músicas, em lugares, no pôr-do-sol, na lua cheia, num sabor, no brilho do olho direito. E quando não há mais o que escrever, além de “fim”, há de se chorar. Deixar todos os sentidos penarem pela ausência de novos capítulos, até se acostumarem com o inevitável: é preciso começar de novo. Outra história. Outro amor. Sim, e claro, outro fim.
Qualquer dia desses, com o corpo erguido e o rosto limpo, inicio outro livro. Hoje não. Ainda não. Hoje eu só quero chorar bem alto essa saudade que acelera o coração e dá uma fisgada na coluna a cada lembrança. Quero ser criança assustada, com medo do escuro. Quero fazer manha, pedir colo, dizer que não sei para onde ir.
Quero chorar a morte do meu amor como quem chora o fim da minha ilusão, da minha derradeira alegria, da minha própria vida. Pra um dia, breve, ainda no inverno, minha alma serenar e musicar alguma coisa mansa, lembrando que o amor passou, mas eu fiquei.
São João deve até ter dormido esse fim de semana. Mas eu não! Não mesmo!Dizem que funciona assim: ele precisa ficar dormindo, enquanto o povo todo comemora seu nascimento, acendendo fogueiras e soltando fogos. Se um dia ele acordar, o mundo acaba! Então é melhor nem arriscar, e torcer pra o barulho dos rojões, o chiado dos buscapés e a luz das estrelinhas não incomodar seu cochilo sagrado. Porque do jeito que a gente comemora, o santinho ia acordar assustado com a confusão, e teria todas as razões pra dar um fim ao mundo em plena festa de aniversário. Brasileiro, fogoso do jeito que é, tinha que inventar alguma coisa pra aumentar a diversão e a semvergonhice da festa. Foi daí que surgiu o forró. Coisa do diabo! Um esfrega-esfrega, um suadeiro, boca no cangote, nó na perna, aperto na cintura! Virgem Maria! Sei nem porque está ligado a uma data santa. Eu nunca vou entender esses costumes sacro-profanos brasileiros, mas continuo aproveitando todos assim mesmo! Porque esses pecados coletivos deve ter menos peso na hora do juízo final, né?E foi com esse espírito que saí do Recife rumo ao Sertão, na sexta-feira. Dessa vez, não levei as amigas de costume, nem fiz as farras sem limites dos anos passados. E entre algumas grandes ausências sentidas e outras presenças intensamente comemoradas, curti uma festa em família, mas feliz! Muito feliz! Como nunca pode deixar de ser quando se está em Arcoverde.Coco Raízes. Poesia. Forró pé-de-serra. Amigos. Uma cana pra aquecer do frio e dar dor de cabeça. Festa na rua. Show de buscapés. Abraços. Sorrisos. Agora acabou. São João pode até acordar. Ano que vem tem mais.