06 janeiro, 2012
Demais
Raio de sol que atravessa a estrada.
Fogo tomando a mata.
Água limpa que flui e muda de estado.
Sou tudo que não se prende.
O ócio me inquieta.
Me encanta o caminhar.
Porque o lugar de hoje pode ser ainda melhor.
Porque este ser pode ser mais - e precisa.
Sou muitas, porque não caibo dentro de mim.
Amo demais.
Desejo demais.
Quero mais.
Então, me multiplico e escolho ser tudo.
Ser a mulher que eu quiser (só por hoje).
Ter braços de polvo e agarrar o mundo.
Conhecer todas as variáveis do destino
e ainda assim ter a chance de voltar quando quiser.
Quero sentir em tempo integral.
Me fartar de emoção e felicidade.
Frio na barriga. Segurança. Devoção.
E quando algo faltar, esticar o braço e pegar mais.
A vida não está mesmo pensando em parar.
Nem eu.
01 janeiro, 2012
Chegou
Que venha lindo.
Amor e carnaval.
Sorriso de criança.
Casa grande, jardim.
Que venha novo.
Novos lugares e amigos.
Pé na estrada.
Embarque e desembarque.
Que venham reconhecimento e sucesso.
Bons hábitos, boa forma.
Mais saúde, menos chocolate.
Mais brisa, menos calor.
Que venha a beleza do céu recifense
O sal da praia, o doce do beijo.
O suor do trabalho e do prazer.
Que venha 2012 e ao sair, nos deixe na área.
O novo é a gente quem faz.
Venha com tudo - de bom.
Estou pronta pra recebê-lo.
10 novembro, 2011
DR tecnológica
Ela chega ao quarto após o banho, camisola transparente, pele hidratada. A TV ligada naquele volume onde o limite da sanidade e da paciência já foi ultrapassado. Ele, de olhos grudados – na tela.
- Tá alto, isso.
- Hein?
- A TV. Não quer baixar?
- Não, pra mim tá bom.
Ela pega o controle. Aperta o mute, decidida. Aquela vilã do amor, rainha das diversões apáticas não iria vencer. Não hoje. A noite seria dela e, assim que o silêncio se fez, agiu. Debruçou-se sobre o peito dele, começou uma lenta sessão de beijos e carinhos. Pescoço, bochecha, nariz, boca. Ele boceja.
- Ah, ok, entendi. Eu desisto. – e deitou de volta, resignada.
- Que foi amor? – perguntou o olhar mais inocente do mundo.
- Que foi? Nada de mais. Só um bocejo em pleno beijo chato.
- É porque já é tarde. Não tá com sono?
- Não. Na verdade eu pensei em fazer uma coisinha diferente hoje, só para variar. Mas se depender de você, né?
- Nem vem. Eu sempre tô a fim. Você é que...
- Sempre? – agora o som alto vinha dela. E na semana passada quando vim toda animada te enchendo de beijos. Você deu uns suspiros e quando eu achava que o negócio ia ficar bom, vem um ronco. Um ronco!
- Mas ronco é involuntário.
- Sei. E levantar a cabeça para eu não atrapalhar o filme também é involuntário?
- Que filme? Quando foi isso? – ainda se perguntava o maior dos inocentes.
- Há duas noites. Cheguei, você tava assistindo a Star Wars. Na hora que deitei no teu peito para te dar um beijo, foi logo esticando o pescoço para não perder a cena.
- Ahhhh... devia ser uma que eu ainda não vi.
- Não viu nem na décima vez que assistiu?
- Esse negócio de ver o filme e ler a legenda é muito complicado. Notou que naquele dia eu coloquei o áudio em português?
- Não. Nem reparei.
- Mas você desistiu muito fácil. Fraca!
- Ah, sou. Principalmente quando sou derrotada por Anakin.
- O que faltou foi a técnica certa.
- Qual? Posso saber?
- No lugar de beijo, você deveria pegar direto no sabre de luz. Na mesma hora ele acende e faz uómm.
- Assim? – ela pegou. Mas cadê o uómm?
- Tenta de novo.
- Uómm. Uómm? Uóóómmm? Nada. Não acende.
- Deve ser a bateria fraca.
- E gastou onde que eu não vi?
- Um desgaste natural, muito uso. Nada recente, eu juro.
- É... até onde eu me lembro ele até funcionava direitinho. Mas parece que o sabre e o Jedi já eram.
- Não... Estão só passando um tempo no hiperespaço.
- Ok. Mas enquanto isso, eu faço o quê antes de dormir?
- Sei lá. Escreve um conto.
16 outubro, 2011
Mais perto
"Volta a escrever"... - ele pede.
Minha alma cheia de ideias soltas responde. "Qualquer dia desses"
Até lá, fica tudo aqui, misturado, fazendo eco enquanto encontra uma forma de sair.
Mais cedo ou mais tarde elas vencem.
Ah, as palavras...
15 outubro, 2011
Da série definições
13 outubro, 2011
O que NÃO sou
"Não ofereço perigo algum: sou quieta como folha de outono esquecida entre as páginas de um livro, sou definida e clara como o jarro com a bacia de ágata no canto do quarto – se tomada com cuidado, verto água limpa sobre as mãos para que se possa refrescar o rosto mas, se tocada por dedos bruscos, num segundo me estilhaço em cacos, me esfarelo em poeira dourada. Tenho pensado se não guardarei indisfarçáveis remendos das muitas quedas, dos muitos toques, embora sempre os tenha evitado aprendi que minhas delicadezas nem sempre são suficientes para despertar a suavidade alheia. Mesmo assim, insisto..."
Caio Fernando Abreu
13 agosto, 2010
Pessoas e amor
04 agosto, 2009
Cidade do sol
Bastou uma leitura.E todo meu conceito de violência se transformou.
Os ladrões no sinal nem são mais tão assustadores.
Meu salário não é nada mau.
Não me sinto tão insegura na rua.
Na cidade do sol onde nasci, tenho a chance de ter uma vida melhor.
Posso ir onde quiser.
Escolher minha roupa, meu destino, meu alimento.
Posso falar alto, reclamar, decidir.
Posso tudo.
E nessa manhã, quando o choro pela dor do outro não pode ser contido, só consigo agradecer a Deus por ser brasileira e viver em paz na minha cidade do sol.
14 julho, 2009
Meu diário

Se reinventou, escreveu novas histórias.
Se perdeu no tempo.
Não coleciona mais nada além das lembranças.
Não tem medo de ficar sozinha. E até gosta da idéia.
A menina se foi.
Tanta insegurança, tantas pequenices esquecidas numa folha velha cheirando a mofo.
Resolveu guarda-la só por segurança.
Com receio de ir tão longe ao ponto de perder a si mesma.
É preciso lembrar.
A menina passou por ali.
Aquela que morreria de velhice aos 30 anos.
Que iria casar com o primeiro amor.
Que seria veterinária e teria duas filhas.
Que teria empregada, por não saber cozinhar.
A quietude não mudou.
E assim, quieta, como quem passeia, ela caminhou para longe...
Para onde vai a menina?
29 junho, 2009
Inteira
26 junho, 2009
De mansinho

Viveu sob holofotes.
Morreu em silêncio.
Sozinho.
O coração parou.
O corpo cansou.
De se reinventar todo dia.
De querer sempre mais.
De se maldizer.
Entregou-se.
Despediu-se calado.
Sem alardes, dessa vez.
O show terminou.
E lá se foi mais um pobre coitado.
Que teve a chance de fazer a coisa certa.
Mas não entendeu...
O tempo acabou.
A luz apagou.
O astro partiu.
A lição não compreendida está no quadro
para todo mundo ler.
21 junho, 2009
Sai amargo entra doce
embrulhado num papel brilhante
Regalo de riso fácil.
Alegria nas coisas pequenas.
Dente dormente. Coração quente.
Coceira nos ossos e cotovelo.
Bom humor que faz rir até chorar
lágrimas grossas, vastas, pesadas.
Depois vê ácaro virar planeta pela fresta no quarto.
circulando velozes e reluzentes no universo.
Respirar. Ofegar. Entupir.
Lá se foi meu nariz e, com ele, a euforia.
Ficou o verbo: "nós precisamos"
desaparecendo aos poucos sem nunca acabar.
E no abraço amigo, o esperado sono chegou.
A mente inquieta pede descanso e adormece verbo
conjugado até o amanhecer.
19 junho, 2009
Sem méritos
Agora todo mundo pode ser jornalista.
Eu que não sei se quero mais ser.
- Só um advogado poderia fazer tamanha sacanagem com outro profissional.
05 junho, 2009
Mau dia

22 maio, 2009
Liberta
Por algum motivo – que pode incluir até meu medo constante de ser assaltada – resolvi acompanhar os passos daquela mulher enquanto eu esperava o ônibus.Lá vinha ela, descalça, cigarro aceso na mão, caminhando sem pressa sob a garoa que fazia brilhar a calçada da Rua da Aurora. De repente, desvia do caminho e sobe para o canteiro. Segura o cigarro na ponta dos lábios e, sem sequer olhar para os lados, baixa o short e se acocora à beira do Capibaribe.
Que cena!
Aquela bunda magra me encarando desafiadora, e eu lhe devolvendo um olhar incrédulo, vendo o xixi descer em jato entre suas pernas para depois de misturar à grama verdinha que cerca o rio.
Como o negócio demorou, a mulher deu mais um trago no cigarro. Tudo certo por ali.
Na rua, olhares abismados e comentários em sussurros a culpavam pela sujeira na cidade. Não me misturei às vozes. Só conseguia olhar, com um sorriso no canto da boca e pensar sobre liberdade.
Ela fez xixi à beira do Capibaribe!
Fez uma coisa que eu bem queria ter feito, mas não posso, por ser moça bem criada, instruída e de boa família.
A mulher descalça tem algo que eu não tenho e, sem saber, cheguei a ter medo dela.
O medo passou.
Subi no ônibus e a deixei ali, de cócoras, admirando o rio enquanto fumava um cigarro.
Definitivamente, não é dela a culpa pela sujeira do Recife.
15 maio, 2009
Ouvidora

...
14 maio, 2009
07 maio, 2009
Num instante
Fotos: minha mesmoSaudade não é uma pesquisa nos cantos mais remotos da memória, nem vontade de lembrar o que a rotina faz esquecer.
Saudade é instante.
Agente está lá, de bobeira, acordando, tomando banho, andando de ônibus ou provando um tempero, quando ela chega. Veloz. Passa correndo, pega na mão do pensamento e voa com ele até onde bem entender.
Ultimamente, minha saudade é recorrente. Quando percebo, estou em São Paulo. Caminhando pelas calçadas sem risco da Av. Paulista, pelos largos corredores do Mercado Central, sentada perto dos patos, admirando o lago do Ibirapuera.
Amo aquela cidade. Se pudesse, moraria lá só para ter todo dia a segurança de caminhar à noite depois do teatro, de sair e voltar para casa sem medo de ser assaltada no primeiro sinal.
Não é a toa que a cabeça viaja tanto até lá. Mas hoje foi diferente.
Estava pintando uma caixinha de madeira – presente para voinha – quando, num passe de mágica, fui parar no jardim da casa de Zé da Rocha, na fazenda da Macuca.
Há anos não vou lá, mas lembro de cada detalhe. A casa cheia de espaços vazios, os móveis esquisitos do terraço, a falta de iluminação, a ponte, o caminho para bica e o riacho (únicos lugares onde era possível tomar banho), a barraca prateada armada no meio da noite, o cachorro pastor-alemão que vinha nos acordar logo cedo. Tenho tudo na memória.
Hoje, estava entre as flores. Aquelas cor-de-rosa, pequenas, iguais às do jardim da minha avó quando eu era criança.
Perto destas flores, tomamos café da manhã depois de uma noite de muita farra, deitamos na grama, jogamos conversa fora, cantamos, cochilamos.
As flores me lembram uma paz alegre e, na casa de Zé da Rocha, podem ser vistas até do banheiro, onde a parede de cimento abriu espaço para uma janela de vidro. Incrível! Coisas assim não dá para esquecer.
Mas não sei como fui parar lá hoje.
A saudade me levou. Tão rápido. Num instante.
06 maio, 2009
uns versos
ele muda sim, eu sei, mas não percebo.
enxergo o mesmo menino de sempre
sedutor, sorridente, persistente
o homem que me ensinou a amar com alegria
a ser tolerante, paciente
a esperar pelos dias de sol e nunca temer a chuva
a cor dos pelos mudou, o corpo, o rosto
estão mais bonitos, mais seguros de si
e eu mudei junto,
mas ainda olho para o mesmo lugar.
onde estou.
onde vou ficar.
feliz aniversário!






