03 abril, 2007

Na rua

É verdade...
Escrevi palavas com sabor adocicado pra contar uma história que anda amargando meus dias e consumindo meus sonhos na última semana.

Fui demitida da Câmara.

Cargo político sem concurso é assim mesmo. Sabia que mais cedo ou mais tarde seria a hora de partir para outra. Só não esperava que fosse desse jeito. Torto. Injusto. Obscuro. Mas foi! E se foi, é hora de levantar a cabeça, comer muito chocolate até domingo e recomeçar um nova vida na segunda-feira.

Chorei bem menos do que gostaria. Não falei palavrão. Não dei um grito. O resultado disso é que somatizei a porcaria desse sentimento de perda e acabei ficando muito doente. Meu corpo inteiro dói. Os olhos ardem. A boca fica seca e leva um contínuo gosto amargo. A garganta arranha. O nariz entope. Melhor dizer que é gripe. "já já passa".

Soube da notícia na terça-feira passada, mas durante todos esses dias alguns vereadores e minha diretora (Germana) vêm tentando reverter a decisão tomada por apenas um. Sim! São 36 vereadores, um deles me demitiu e dizem que não podem fazer nada quanto a isso. Ah! E pasmem! Esse um não é o presidente da Casa! Interessante, não é?

Depois de tantas tentativas, percebi que por mais persistente que eu seja, não posso lutar contra algumas coisas. Ou melhor, posso até lutar, mas vencer é outra história... Estou indo agora rumo à última cartada. Consegui falar com ele para que o próprio me justifique, cara a cara, as razões da demissão. É provável que nada mude, mas uma super-brasileira não desiste nunca! E eu preciso dessa conversa pra trancar bem trancada a porta de minha passagem pela Câmara.

De antemão, comunico que estou à disposição do mercado de trabalho, e com muita certeza que o próximo emprego vai chegar mais rápido do que imagino...

P.S.: Na foto, Germana, Cata e eu, na minha despedida, sexta-feira.

Despedida


Entre linhas e vírgulas mal encaixadas em um Diário Oficial
Entre offs repetidos mil vezes, discursos gigantes e as lembranças de “lutas libertárias da cidade historicamente mais importante da América Latina
Entre a correria em busca de pautas e de fazer a coisa certa
Entre biscoitos de chocolate e segredos compartilhados.

Nossas histórias se acharam
E viraram sorrisos
E enxugaram lágrimas
Trocaram olhares cúmplices
Apoiaram quando não dava pra levar sozinho
E se completaram em abraços
Que só amigos de verdade sabem dar.

Foram assim meus dias aqui
Doces como o olhar de Sugahara
Agitados como a presença de
Catarina
E tão intensos quanto a de
Germana
Dias irretocáveis como o caráter de
Vivi
Sinceros como as palavras de seu Carlos
Leves como a vida que Léo leva
Tão marcantes quanto a brabeza de Ana Paula
E mais reais que a sem-vergonhice de Tonho.

Tudo aqui foi novidade e verdade
Descobri um mundo desconhecido
Amadureci
Tudo me fez mil vezes melhor,
Mais profissional, mais forte
E mais feliz.

Por isso valeu tanto.
Por isso até ir embora não pode ser ruim...
Aqui deixo algumas fotos e acho que alguns frutos
Comigo, levo uma saudade sem tamanho
E a certeza de que nada acabou.

Nos vemos pelo mundo...

21 março, 2007

Um quê de sei lá o quê


Sem computador em casa. Sem nem uma casa. Mas em casa...

Sem tempo pra pensar besteiras. Com tempo pra comprar besteiras. Com planos de fazer cada vez mais besteiras!

Descobrindo uma nova jornalista em mim a cada novo dia, a cada tentativa frustrada de fazer uma passagem legal. Sou abusada até no vídeo! Sim! Abusada! E com os olhos pequenos demais, as bochechas grandes demais, o sotaque carregado demais! Ai!!! Mas sentindo que está bem perto de conseguir trabalhar direito nessa tal de televisão.

Trabalhando muito. Amando demais. Bebendo além do prudente. Conquistando sempre.

Hoje disseram que sou o tipo de pessoa que consegue tudo na base do charme. Bem, eu achei que era da persistência, mas se há discordância sobre a questão... Fazer o quê?

"Jovem. Simpática. Risonha. Boazinha. Original. A representação fiel do canto da sereia"

Adorei!

08 março, 2007

Loucura


Dia da Mulher não dá pra passar sem pensar. Mas dessa vez, quis fazer diferente. E pensei em quando me tornei uma mulher. Definitivamente, não foi quando perdi a virgindade. Desde aquele dia, ainda me mantive uma menina por anos... Também não foi quando conheci a dor, nem a felicidade (se é que já as conheço, de fato).

Às vezes acho que me tornei mulher no dia em que resolvi enfrentar a proibição de Fábio e tocar alfaia. Outras vezes, penso que foi no dia em que tomei coragem de sair da casa dele, coloquei todas as minhas coisas num táxi e nem chorei. Pela primeira vez me senti forte, madura, louca o suficiente para ser uma mulher de verdade, com coragem para dirigir minha vida dali em diante.

Hoje sei que sou mulher. E penso que isso exige um pouco de pimenta, outro tanto de insanidade e muita, muita fé. Entre tantos ingredientes, esses talvez sejam o que mais fazem de mim essa mulher, blogueira, apaixonada, incansável!

Ah, o texto abaixo é de Anais Nin, uma escritora francesa, famosa pela publicação de seus diários. Pela semelhança de idéias, garantiu seu lugar no post de hoje.


O ímpeto de crescer e viver intensamente foi tão forte em mim
que não consegui resistir a ele. Enfrentei meus sentimentos.
A vida não é racional; é louca e cheia de mágoa.
Mas não quero viver comigo mesma.

Quero paixão, prazer, barulho, bebedeira, e todo o mal.
Quero ouvir música rouca, ver rostos, roçar em corpos,
Beber um Benedictine ardente.

Quero conhecer pessoas perversas, ser íntimas delas.
Quero morder a vida, e ser despedaçada por ela.
Eu estava esperando.

Esta é a hora da expansão, do viver verdadeiro.
Todo o resto foi uma preparação.
A verdade é que sou inconstante,

Com estímulos sensuais em muitas direcções.
Fiquei docemente adormecida por alguns séculos,
E entrei em erupção sem avisar.

05 março, 2007

Sob medida


Se você crê em Deus
Erga as mãos para os céus
E agradeça
Quando me cobiçou
Sem querer, acertou
Na cabeça

Eu sou sua alma gêmea,
Sou sua fêmea
Seu par, sua irmã,
Eu sou seu incesto
Sou igual a você,
Eu nasci pra você,
Eu não presto,
Eu não presto!

Traiçoeira e vulgar
Sou sem nome e sem lar,
Sou aquela
Eu sou filha da rua,
Eu sou cria da sua costela

Sou bandida,
Sou solta na vida
E sob medida pros carinhos seus
Meu amigo, se ajeite comigo
E dê graças a Deus

Se você crê em Deus
Encaminhe pros céus uma prece
E agradeça ao Senhor
Você tem o amor que merece
De Chico Buarque - Para nós

27 fevereiro, 2007

Talvez, uma TPM...


Foto: meu amigo Léo


Há dias em que nem estou. Trabalho, bebo um suco, atravesso a rua. E mesmo assim, não estou. Fico só pensando em onde estaria se...

Se tivesse estudado mais ou arriscado mais. Se tivesse chegado um pouco mais cedo ou esperado mais um instante. Se não tivesse amado tanto, nem temido tanto, nem escrito algumas palavras. Se fosse um pouco menos honesta, um pouco mais ambiciosa, ou mais sisuda. Se tivesse feito diferente, onde diabos eu estaria?

É em dias assim, quando não estou, que dedico o tempo a inventar futuros. Todos impossíveis, fantásticos, mas que cabem perfeitamente na minha história. Nesses dias me transformo numa menina criativa em seu mundo encantado. Sou pura imaginação e nostalgia de falsos momentos.

Às vezes moro em um apartamento grande e antigo, com uma penteadeira cor-de-rosa no canto da sala, almofadas floridas pelo chão, fotos dos amigos pelas paredes e um gato gordo e amarelo dormindo encostado à porta da cozinha.

Em outros dias, estou toda encasacada, usando um gorro vermelho e um lindo cachecol de fios dourados. Viajo de trem pela Europa acompanhada de um grande amor. Estamos de férias.

Também posso dar aulas numa universidade. Sou poliglota e doutora em comunicação. Há anos não vou ao Brasil. Quem sabe ano que vem não levo as crianças para visitarem a avó?

Eu poderia ter sido tantas mulheres. Na verdade, seria uma só, mas as opções são diversas. Claro, SE eu tivesse feito alguma coisa diferente no caminho... Sei de cada atitude que me levaria a esses destinos, de cada lugar onde poderia estar. Mas na hora não sabia! Queria ser livre e não me comprometer. E sou! Mais livre impossível! E agora?

Agora queria estar no aeroporto. Talvez embarcando para Salamanca, ou Madri, ou Berlim. Queria ir longe! Mas ainda estou aqui. Uma jornalista, solteira, meio sem teto, com alguma grana sobrando, mas morrendo de medo de me comprometer com meu futuro. Morrendo de medo de perder o que nunca conquistei. Vivendo de ilusão...

É, definitivamente, hoje, eu ainda não cheguei!

23 fevereiro, 2007

No lugar


Eu estou aqui
Fazendo sei lá o quê
Vivendo a paz de nós dois
Confiando mais em mim
E um pouco mais em você

Estou aqui sem esperar
Caminhando junto
Curtindo os passos que nunca demos
E que agora chegam leve
Como quem segue o rumo certo (será?).

Só sei que estou aqui
Sem saber se deveria ficar
Sem saber (ainda) se é o meu lugar
Sem ter a menor idéia da cara que deve ter esse lugar.
Na verdade, quem disse que eu preciso ter um lugar?

Eu, simplesmente, estou!
Onde quis estar todos esses dias
Onde quero estar hoje
E amanhã...
Amanhã, quem sabe?...

Quero estar enquanto houver verdade
Enquanto ouvir sorrisos
Enquanto os olhos brilharem
O beijo for doce
E o abraço, o melhor lugar do mundo.

Quero ficar por perto
Por mais um reveillon
Por mais um carnaval
Por mais um ano, ou sempre...
Bem aqui, onde estou!

06 fevereiro, 2007

Mas é Carnaval... que alegria!


Foi no dia 9 de fevereiro de 1907 que, pela primeira vez, o ritmo contagiante que marcava o Carnaval do Recife ganhou nome: FREVO, porque fazia ferver a multidão nas ruas.

E apesar de a palavra comemorar 100 anos, está longe de ser considerada antiga. Ao contrário, ela renova-se a cada Carnaval, enquanto arrasta os foliões pelas ruas, trocando passos ao som do ritmo que esquenta os pés e o corpo.

É só chegar fevereiro e as cores tomam conta do Recife para esperar por mais uma festa inesquecível. E não há como não ser! Costumo dizer que Carnaval, até quando é ruim, é bom! Espero por ele o ano inteiro, é a chance de ser quem eu quiser, de realizar todos os sonhos, de desconhecer os limites, de amar o mundo, de poder não dar satisfação e ainda estar tudo bem. Porque é Carnaval!

Eu vivo o frevo. A orquestra de metal, a de pau e corda. Sigo e me esqueço. Sigo levada pela multidão e carregando minha alegria. Como fada, arqueira, colombina, espanhola, vilã ou heroína. Vivo a sede de mais um frevo, de mais um passo, de mais um gole, de mais um beijo.

Vivo o encanto dos olhares infantis, de fantasias que viram verdade por um dia. Vivo o aperto das ruas de Olinda, o sol na cabeça, a roupa ensopada, a decoração do Recife Antigo, a curiosidade por trás de uma máscara.

Vivo a rapidez de uma festa que tem quatro dias (ou cinco) pra ser o que quiser, mas não se contenta em terminar na Quarta-feira de Cinzas. Ela nos acompanha o resto do ano, em cada lembrança, cada novo amigo, cada reencontro, nas magias que só acontecem no Carnaval.

Não sei frevar, mas pulo, sacudo os pés sem parar, do jeito que a música mandar. Sábado uma menina me abordou no meio da prévia dos Amantes e disse: “Menina, tu freva muito!”. Eu estava bêbada, mas não pude esquecer o comentário. Apenas sorri, dei um cheiro nela - que levou um gole da minha vodka - e saí “frevando”. Coisa boa!

Então vi que frevar é mais que ser um passista de sombrinha. E é por isso que ele virou a marca do Recife. Porque não tem regra, mas tem alma. Igualzinho a todo mundo nessa cidade: incansável, criativo, sonhador.

Nos outros dias sou Mack, jornalista, romântica, chocólatra, faladeira. Mas em fevereiro não tenho nome. Sou Lily, Joana, Conxita, sou a Glória e sua Amante. Tenho a alma de mulheres sem pudores, que respiram música e euforia, e deixam sua marca por onde passam.

Por isso, nem adianta chamar! Mas, se quiser, pode me seguir. E nesse caminho criar histórias, deixar lembranças, tornar realidade a fantasia de mais um Carnaval. Porque pra descobrir o segredo de completar 100 anos com tanta vida, é preciso viver!


Nos vemos pelo mundo!

25 janeiro, 2007

Todo dia


Quem já viu?

Me apaixono todo dia. Por quem tem voz grossa, fala bonito, usa um bom perfume ou um terno bem cortado. Nunca por cabeludos. Advogados, engenheiros; sisudos ou dados demais; com barba, sem barba; com olhos ternos ou sinalizadores de perigo. Me apaixono por gente, porque gente interessante nunca vai faltar! Que bom!

Me apaixono por velhos. Por cada uma das rugas, as quais fico tentando decifrar se são fruto de sol ou de noites mal dormidas. Me encanto com a forma de caminhar, a segurança mantida por uma bengala, os passos calculados, o ritmo paciente. Paro tudo só pra contemplar os gestos lentos, o jeito de falar, a desinibição, a sabedoria. Me apaixono pelos sábios, sonhando em um dia chegar lá, virar gente grande, amadurecer.

Me apaixono por palavras, algumas de gente que, às vezes, nem conheço. Versos sobre amores semelhantes aos meus; histórias conhecidas, contadas de forma diferente; rimas ricas ou prosas sem métrica. Folheando livros ou páginas na internet. Em todo canto a palavra me comove, e esse afeto logo vira mais uma paixão.

São paixões passageiras. Na maioria das vezes, acabam caindo no esquecimento. Tornam-se infinitamente especiais naquele instante, quando o tempo parece parar em nome da contemplação, quando o instante é o mais belo de toda uma vida. No instante seguinte, surge outra paixão, outra palavra, outro caminhar, outro cheiro. E tudo já se foi...

Mas nem sempre é assim. Há paixões renovadas diariamente. Carrego comigo uma assim. Ela nasce em cada encontro, cada olhar, tocar de lábios, roçar de pele, em cada amanhecer. E não morre com a distância, nem quando outras surgem. Ao contrário, me acompanha enquanto me apaixono, fugaz, tantas e tantas outras vezes.

Me apaixono todo dia. Uma paixão renascida, fortalecida, imortal; que não perturba, não tira o sono nem a moral; que deixa no corpo o calor suficiente para esquentar o sangue, e a serenidade necessária para suportar a saudade. Uma paixão companheira, que deseja ser renovada todo dia.

24 janeiro, 2007

Batuque


Adoro palco! Desde cedo soube ter nascido para o mundo. Jamais seria dessas pessoas que se infurnam em um laboratório para fazer estudos, ou do tipo que vive avaliando a teoria dos outros para formular ainda mais teorias. Não! Meu negócio é a prática.

Sou especialista em gente. Em deixar gente feliz, admirada, confusa, mexida. Gosto do poder de transformar pessoas. Transformar pessoas tristes em alegres; descrentes, em esperançosas; amargas, em verdadeiros docinhos. E mesmo não sendo uma pessoa com muitos talentos, sempre encontrei um jeito de fazer a diferença.

Sim, tenho cá o meu charme, mas não sei cantar, sou meio desengonçada para dançar, e tocar algum instrumento, então! Houve um tempo em que pensei ser impossível! Sempre gostei mesmo de escrever, e tinha uma especial cara de pau para fazer qualquer coisa que pedissem sem sentir um pingo de vergonha.

E foi assim que resolvi mexer com as pessoas por meio das palavras e do teatro. Deu certo. Todo mundo se emocionava e se divertia. Mexer com gente é como brincar de ser Deus, ou melhor, é saber que só se faz isso com a autorização Dele. Por isso, me orgulho tanto.

Ultimamente resolvi arriscar um pouco mais. Atravessei uma alfaia em meus ombros e saí por aí, encantando de crianças a velhos. É fantástico perceber o sorriso nascer de faces curiosas. O som não é harmônico, nem suave, nem comum. Mas alguma coisa no sangue de todo brasileiro faz a nossa memória genética dar sinal quando ouve o bendito batuque.

Nossos antepassados estão ali, nossa história, e melhor, nosso presente. A felicidade de sacodir mesmo sem saber dançar, de entrar na brincadeira, de não pagar ingresso, de seguir e parar quando bem entender. Enquanto vejo esse monte de gente acompanhar um batuque, esqueço das dores no corpo e dos calos nas mãos. Esqueço de tudo!

Esse fim de semana, passando em frente a uma pousada, o grupo recebeu a companhia de um turista europeu, vestido de roupão de veludo vinho, fumando um charuto e calçando uma sandália de couro. Sem falar dos bebês, dos idosos, dos curiosos... cada um com seu encanto, com sua paixão...

E eu aqui, feliz, por ver isso tudo e pelo grandiosos poder de transformar as pessoas.


Sem isso, nada faria sentido.

18 janeiro, 2007

Entre amigas


Estrada
Engenho
Cachoeiras
Gente simples

Cidade do interior

Pitanga no pé
Canções antigas
Pensamento distante

Sossego
Vinho seco
E uma promessa:
Abstrair o que não tem jeito!

Bonito pode não ter mudado nada em nós, mas nos deu dias lindos!
Uma forma perfeita de começar o ano.

17 janeiro, 2007

Renascer


Foto: Riva Spinelli


O ano não foi fácil.

Sim. Essa parte todo mundo já sabe. Ouvi até falar – não sei se por mero consolo – que não foi fácil para um monte de gente. “O pior ano da minha vida”, alguns disseram. Eu concordo. Claro que aos 28 não tenho lá uma grande referência de vida, mas que esse foi o pior... isso foi!

Enfim. O importante é que acabou!

Pra mim, 2006 pareceu despedir-se desde dezembro. Assim que senti o calor daquela energia boa vinda do nascimento de Cristo, minhas dores do ano foram passando. O pé ainda estava quebrado, a tensão de ficar ou não no emprego ainda me fazia pensar em ir embora do Recife, a mágoa ainda tirava o sono, as recordações causavam pontadas no final da espinha. E mesmo assim, alguma parte de mim insistia em ser melhor, em fazer melhor! Melhor que qualquer feito do ano, que qualquer sentimento.

Foi aí que pensei sobre o perdão.

“Uma ação sublime, que nos coloca aos pés de Deus”, me disse hoje uma amiga. Esse perdão estava longe de fazer bem ao “ser” perdoado, mas tinha o poder de me salvar! Salvar minha alma, meu corpo e, principalmente, o resto dos meus dias. Por meses e meses nem consegui respirar de tanta mágoa. Mas no dia que resolvi encará-la sem medo, descobri que ela era mesmo filha do amor. Um amor tão sincero e intenso, que não me deixava motivos para ser triste. Então perdoei. Perdoei a mim, por ter me permitido morrer um pouco. Perdoei a “ele”, que tem tanta sede de viver.

Só não sei se as pessoas vão me perdoar...

Por isso foi tão difícil dizer onde e com quem queria estar na virada do ano. Uma decisão tão simples e tão complexa! Racionalmente, deveria ficar ao lado de minhas amigas e de minha mãe, incansáveis nos momentos em que eu mesma já não tinha mais força. Mas eu sou feita de emoção e o amor fala mais alto. Sabia bem qual o único lugar onde estaria feliz no Reveillon.

E é para lá que fui!

Foi para ele que dei meu último olhar de 2006 e o primeiro de 2007. Os últimos beijos, gozo e desejo de “amor e verdade”, e os primeiros de um novo ano. Ao seu lado comtemplei as últimas estrelas de um ano escuro, e o primeiro nascer do sol de uma fase de esperanças. Comecei o ano assim, feliz! Mas, sobretudo, leve.


Me leve ano. Me leve...

05 janeiro, 2007

Achada. Perdida.

Foto: Riva Spinelli


É em paz que me sinto aqui.
Enquanto meu braço enlaça tua cintura,
meu peito encosta em tuas costas
e meu nariz respira teu pescoço.

Aqui esqueço de tudo e vivo nós dois.
Nossos olhares e beijos em sorriso.
Vivo o que é de verdade.

É essa paz que justifica minha persistência,
que fortalece minha esperança,
que aumenta a tolerância.

É essa paz que me mantém ao teu lado,
que me dá a sensação de estar no caminho certo.
Ah! Paz insana!
Tão insana quanto eu!

20 dezembro, 2006

Para sempre


À Giu e Lu.
Porque eu acredito na eternidade no amor, e vocês assim serão.

"Tudo quanto na vida eu tiver
Tudo quanto de bom eu fizer
Será de nós dois

Uma casa num alto qualquer
Com um jardim e um pomar se couber
Será de nós dois

E depois, quando a gente quiser
Passear, ir pra onde entender
Não importa onde a gente estiver
Estaremos a sós

E depois, quando a gente voltar
O menino que a gente encontrar
Será de nós dois

E de noite quando ele dormir
O silêncio do tempo a fugir
Será de nós dois

E por fim, quando o tempo fugir
E a saudade nos der de nós dois
E a vontade vier de dormir
Sem ter mais depois

Dormiremos sem medo nenhum
Pois aonde puder dormir um
Podem dormir dois"

Canção de nós dois - Vinícius de Moraes

13 dezembro, 2006

Canção da partida


Não. Não quero mais saber de ti
Nem de seus passos
Nem de seus risos
Nem quero ouvir de tuas saudades

Não. Não quero mais me ver em ti
Sobre o teu peito
Sob teu corpo
Entrelaçada em teus lençóis

Não. Não quero mais lembrar de nós
De nossa casa
De nossos olhos
Do tempo em que eles eram só...

Só do outro,
Só felizes
Só verdade
E eternidade.

Não. Já fui embora, já esqueci
Não sonho mais
Não quero mais
A tua voz a me embalar

É. Estou seguindo por aí
Uma outra estrada
Que talvez
Me leve a um lugar de paz.

06 dezembro, 2006

Conselhos de fim de ano...

Foto: meu amigo Léo


Em meio à ventania
Manter-se firme
Deixar os cabelos balançarem
O corpo ser levado
Mas não cair!

Em meio à tempestade
Buscar refúgio
Algum ponto seco
Algum ponto a salvo

E quando não der mais
Render-se à chuva
Sentir a água no rosto
Abrir os olhos para assistir ao espetáculo
Sem temer o frio, nem a gripe.

Em meio à duvida
Ficar vazio
Esperar o tempo abrir
O destino agir
As soluções chegarem em forma de sonho
Entre conversas fiadas
Numa mesa de bar
No enredo de um filme bobo

Ficar vazio e esperar...
Em breve, tudo vai mudar.


Talvez eu tenha férias forçadas a partir de janeiro.
Alguém tá afim de uma prainha?

04 dezembro, 2006

Ainda sobre o amor...

A música do dia e mais uma definição sobre essa história de amar...

O velho e a flor

Por céus e mares eu andei
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber o que é o amor
Ninguém sabia me dizer
E eu já queria até morrer
Quando um velhinho com uma flor
Assim falou:

O amor é o carinho
É o espinho que não se vê
Em cada flor
É a vida quando
Chega sangrando
Aberta em pétalas de amor

O amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia.
É uma alegria e, de repente,
Uma vontade de chorar...

Vinícius de Moraes



O que é, o que é?


O textinho abaixo não é meu. É de um grande amigo, Mauh Spinelli (esse ao meu lado na foto), mas que merece seu espaço hoje. Bem hoje!

"aí descobri, que amor não é nada disso...
que amor é outra coisa...
que amor não queima, nem congela, nem machuca...
amor não trai, nem usa, nem ignora...
amor te da certeza, te dá caminho, te dá a mão...
amor te faz dormir tranqüilo, te faz acordar feliz...
amor não tira o ar, nem os espaços, nem os momentos..
não te tira o amor próprio, nem os amigos...

o amor chega pra completar,
e, se um dia ele acaba, em nenhum momento te deixará incompleto...

esse "amor" que dói é ilusão, é doença, é tanta coisa...
só não é amor!!
e só depois que descobri isso, é que me senti livre para seguir..."

01 dezembro, 2006

Segredos...


Algumas músicas ainda não ouço.
Alguns lugares, não freqüento.
Algumas histórias, prefiro nem contar.
No mais, tudo bem.

Já acordo sem idéia fixa.
Já durmo (de madrugada, é claro!).
As lembranças passam por mim, mas não ficam.
E vêem sozinhas, sem a saudade.
Essa parece ter encontrado um refúgio no passado.
Em breve, será como tantas outras:
Mera recordação.

Já as músicas e os lugares, sempre terão uma referência,
Porque algumas coisas nunca mudam
Insubstituíveis, dizem...
Mas a saudade sempre muda de cheiro, de endereço, de cor.
A saudade é volúvel...
Sorte a nossa!

29 novembro, 2006

Do meu jeito


Às vezes escrevo com sorrisos nos lábios
Outras, com lágrimas nos olhos.
Franzindo a testa
Levantando as sobrancelhas
Sorrindo sozinha
Com vontade de chorar
Tudo no mesmo dia
Numa harmonia de gestos e sentimentos que só eu sei
Mas não explico, só conto!

O jeito de escrever denuncia a tristeza, a solidão,
A esperança de fazer diferente, a alegria de me surpreender.
Tem minuto que a vida é boa
E no seguinte, já não tem mais tanta graça assim.
E é nesse passinho manso que andam meus escritos,
Com o mesmo ritmo do coração:
Instável, confuso, adolescente!